Dicas de leitura

Literatura

Guerra e Paz


Tido como um dos maiores livros da história e como um dos que mais influenciaram a literatura moderna, Guerra e Paz, do escritor russo Liev Tolstoi, conta, em linhas gerais, a guerra travada entre Napoleão Bonaparte, imperador francês e Alexandre I. czar russo. O primeiro, em sua ambição de conquistar toda a Europa, tentou (e conseguiu) invadir Moscou, capital da Rússia, mas, por uma serie de fatores, não conseguiu sustentar a cidade conquistada e a perda do local, junto da morte de milhares de soldados franceses, serviu como epicentro de revoltas na França, que acabaram por destituir o imperador do cargo.

            Muito mais do que a guerra em si, o romance traz o quanto a sociedade russa foi influenciada pela guerra, mostrando as reações das famílias nobres ao ver parte dos seus homens indo para a guerra, enquanto outros estavam em seus gabinetes, decidindo o futuro do país. A história é contada com diversas frentes de narrativa, dentre elas o palco da guerra em si e algumas famílias do alto calão da sociedade russa. As contradições, hipocrisias e superficialidades desta parcela da população são tratados com maestria, deixando a impressão que, na verdade, apenas as formas de guerra eram diferentes. Enquanto alguns matavam ou morriam no campo de batalha, outros prometiam suas filhas a terceiros por puro interesse, e, algumas mulheres, levavam vidas paralelas com dois maridos.

            A guerra é tratada de uma forma bastante sutil. Mesmo nas batalhas mais sangrentas, os detalhes mais sórdidos são deixados de lado, preferindo o autor falar de assuntos que vão muito além daquilo que todos imaginam dos campos de batalha. São mostrados as curiosidades e os pequenos detalhes que muitas vezes ditam quem será o vencedor e o perdedor dos embates. Um dos melhores exemplos disso é quando Tolstói narra um plano traçado pelo exército russo que sai totalmente errado, mas, no final, acaba por ser o fator determinante para expulsar o exército francês de Moscou. Talvez a maestria como estes episódios são narrados, deva-se ao autor do livro ter integrado o exército russo por algum tempo, após o período da guerra retratada.

            O livro pode ser considerado uma novela, afinal, o tema principal (a guerra) dita o ritmo e interfere em todas as narrativas da história. Nenhuma das personagens deixa de ser influenciada por este fator principal. Sua versão original possui mais de 1000 páginas, masadaptações disponíveis no mercado. Uma boa pedida é a de Silvana Salerno, lançada recentemente pela Companhia das Letras e que foi lida para a realização deste texto.

 

Literatura

À espera de um milagre


 

Um clássico, tanto da literatura quando do cinema, “À espera de um milagre” foi escrito por Stephen King, tido como um dos maiores autores de suspense de todos os tempos. A história é narrada por Paul Edgecombe, um idoso internado em um asilo no interior dos Estados Unidos. Para passar o tempo, ele começa a escrever sobre certa passagem de sua vida, quando trabalhava no corredor da morte de uma penitenciária em Cold Mountain.

            Foi lá que, certo dia, chegou John Coffey, um negro de tamanho descomunal, acusado de estuprar e matar duas garotas de nove anos. A principio, seria apenas mais uma vitima da cadeira elétrica. Entretanto, o preso começa a dar mostrar de que não é uma pessoa comum, realizando alguns milagres dentro (e fora) da prisão.

            Quem também merece destaque no enredo é Sr. Guizos (tratado no filme como Mr. Jinglles), um ratinho extremamente carismático, que serve como elo de ligação entre a história narrada e a vida de Edgecombe no asilo.

            Uma história comovente, valores são postos em xeque, não há como não se emocionar com a trama. Quem assistiu ao filme, deve ler o livro; quem leu o livro, deve assistir ao filme.

Honrados Mafiosos

Os honrados mafiosos


 

“Os honrados mafiosos” traz a história da família Bonnano, importante grupo de mafiosos dos Estados Unidos durante o meio do século passado. O livro foi publicado em 1971, escrito pelo renomado jornalista estadunidense Gay Talese, um dos autores mais consagrados do New Jornalism. Para contar a história da Máfia, o autor levou cerca de 7 anos fazendo pesquisas, entrevistas e convivendo com os mafiosos, principalmente Bill Bonnano, filho do patriarca da família Joseph Bonnano.

            Com uma escrita leve e precisa, Talese dividiu o livro em quatro partes. Na primeira, intitulada “O desaparecimento”, narra o sumiço de Joseph e dá uma espécie de introdução ao leitor no mundo da Máfia. O segundo, “A guerra”, mostra a crise que passou as nove famílias de mafiosos dos Estados Unidos durante o período em que o autor escreveu o livro. Depois vem “A família”, a estrutura da Máfia e a importância da confiança entre seus integrantes é descrita aqui. Por último está “O julgamento”, que é o desfecho de toda a trama que a família viveu.

            O livro serve como um registro histórico de um fenômeno que influiu e ditou moda na vida de muitas pessoas, até hoje a Máfia, a original, que surgiu na Sicília, sul da Itália, é vista com certo glamour por muitos. A elegância e, principiante, a ética são elementos obrigatórios para aqueles integravam estes grupos, coisa rara de se encontrar no mundo atual.

 

Dom Quixote

Dom Quixote


 

Escrito em 1605 pelo espanhol Miguel de Cervantes, é praticamente impossível escrever algo inédito sobre o maior clássico da literatura mundial, Dom Quixote de la Mancha é o segundo livro com mais cópias feitas em todo o mundo, perdendo apenas para a Bíblia. A história, como todos conhecem, é de um fidalgo da Mancha, região da Espanha, que, apaixonado por literatura de cavaleiros, resolve ir traçar a sua própria saga.

            Junto com os não menos famosos Sancho Pança, seu fiel escudeiro e Rocinante, o cavalo, o herói cria uma espécie de mundo paralelo ao seu, onde procura realizar grandes feitos para seduzir Dulcinéia de Toboso, sua musa inspiradora imaginária. Em meio à loucura de Dom Quixote, histórias maravilhosas são relatadas, dentre elas merecem um maior destaque os conflitos com os moinhos de vento que viram dragões, a briga com as ovelhas e a grande batalha contra tonéis de vinho.

            Ao perceber que muito do que realizava não existia na realidade, o cavaleiro culpa o mago Frestão de ser o responsável por fazer tudo mudar de figura, transformando os inimigos em objetos comuns. Para tentar ajudar ao fidalgo, um grupo de pessoas inventa a princesa Micomicona, do reino imaginário Micomicão, que pede para que Dom Quixote a ajude a recuperar as suas terras. No decorrer desta saga, que não chega ao final, muita coisa acontece.

            Um livro maravilhoso, tido por muitos como o melhor já publicado em toda a história. Sua leitura compensa, mas deve ser feita por quem realmente esteja interessado na história, por ter sido escrito em uma linguagem antiga, a leitura torna-se vagarosa, mas nada que atrapalhe o encanto do personagem que para muitos é um herói, para outros, um louco.

Livros

“Admirável mundo novo”, admirável!


 

Há livros que se transformam em verdadeiros clássicos, um dos principais motivos para isso é a história ser atemporal, ou seja, servir para qualquer época. “Admirável mundo novo”, do inglês Aldous Huxley, vai além. Escrito em 1932, o livro é tido como um clássico da ficção cientifica, rótulo bem estipulado para os padrões da época. Acontece que, com o passar dos anos, o livro fica cada vez mais atual.

            A história mostra uma sociedade onde as pessoas são produzidas em série, com características em comum e divididas em castas. Cada uma serve para algum tipo de trabalho especifico e os modos de vida são semelhantes. Ambientada em uma Inglaterra do futuro, Deus é banido, ou melhor, passa a ter outro nome: “Ford”, clara alusão aos donos de empresas e detentores de capital, que comandam a sociedade.

            Nas castas mais baixas, os livros são objetos proibidos e autores ocultados, pois defendem a teoria de que nada que é velho pode ser melhor do que as coisas novas. Por interesse das autoridades, as pessoas não possuem privacidade alguma. Os sentimentos são suprimidos através da “soma”, uma espécie de droga, que pode ser comparada ao álcool ou os calmantes.

            Talvez uma das partes mais emblemáticas do livro seja quando o administrador explique o porquê as pessoas são feitas com repudio as flores, segundo ele não poderiam gostar de alguma coisa em que não se pode ganhar dinheiro, pois os campos e jardins são gratuitos.

            O ponto alto da história acontece quando um “selvagem” é integrado na sociedade. Vindo de Malpaís, lugar não explorado pelos ingleses, pois não haveria um retorno financeiro, ele começa questionar a forma que as pessoas vivem e a reivindicar seus direitos, funcionado como uma espécie de filósofo em uma sociedade que não pensa.

            O que em 1932 foi escrito como uma obra de ficção cientifica hoje pode muito bem ser considerada uma abordagem de como pode ser o futuro da humanidade.

Livros

Geração perdida?


 

Uma geração para a eternidade. Assim pode ser considerado o rock nacional dos anos 80. Até hoje as bandas estão presentes nas rádios, fazem grandes shows e angariam um número cada vez maior de fãs. Para algo tão representativo, um livro a altura daquela época: “Dias de luta – o rock e o Brasil dos anos 80”, de Ricardo Alexandre, traz historias e curiosidades desde a criação até o estrelato de grandes bandas como Legião Urbana, Titãs, RPM e Os Paralamas do Sucesso.

            No começo, uma espécie de introdução para o rock oitentista, bandas como Secos e Molhados e Vimana são mostradas como as que abriram as portas para este tipo de som no país. Depois o autor descreve a explosão do gênero musical no país, que consagrou muitas bandas, mas teve outras tantas de menor expressão.

Nada aconteceu por acaso, a situação política do país propiciava às bandas oportunidades impares de viver e escrever sobre grandes temas, mas claro que isso não seria possível se não fosse o talento de artistas como Renato Russo e Cazuza, só para citar os dois mais queridos.

Historias de bastidores talvez sejam as mais marcantes do livro. Amizades e desentendimentos marcaram o relacionamento entre os músicos. Os artistas com maior espaço são a Legião Urbana, que figura como a grande banda da época; Os paralamas, que conseguiram atingir ao mercado latino, com cd’s em espanhol; e o RPM, talvez, depois do estrondoso sucesso inicial, a maior decepção daquela década.

Livro de cabeceira para quem tem preferências para músicas com letras que signifiquem alguma coisa, não apenas bundas rebolando.

Livros

Madame Satã


 

O livro de Marcelo Leite de Moraes traz a história do Madame Satã, grande templo do underground paulistano durante os já longínquos Anos 80. Depois de certa dificuldade para que a boate desse certo, o Madame acabou virando referência da juventude da década.

O local virou mais do que uma boate, se transformou em um centro de convergência entre as mais diversas culturas da época. Em seus palcos se misturavam bandas iniciantes que mais tarde viriam a fazer grande sucesso (o RPM, por exemplo), com peças de teatro e recitais de poesia. O público era formado por punks de carteirinha, como João Gordo e Clemente; gente moderna do teatro, Marisa Orth, por exemplo; e pessoas, na época comuns, que mais tarde se tornariam grandes estrelas do rock dos anos 80, como Nasi (Ira!), Dinho Ouro-Preto (Capital Inicial) e até Cazuza.

A decoração do lugar era tomada por muito preto, alguns móveis antigos também eram característicos. Logo na entrada uma mulher, presa a uma jaula, passava a noite comendo e cuspindo repolho. Na pista apenas um palco, uma pilastra no meio do ambiente e muita escuridão.

Com o tempo o Madame foi entrando em uma decadência natural. Brigas de punks começaram a acontecer com freqüência. Drogas começaram a ficar cada vez mais habituais e toda aquela mistura cultural acabou caindo no senso comum. Entretanto, o lugar foi peça fundamental na formação cultural dos anos 80.

Livros

A aventura de Che


 

            Miséria, talvez esse seja o primeiro pensamento que nos remeta este livro quando o assunto é a América Latina. Ernesto Guevara, que só mais tarde receberia o famoso complemento “Che” ao seu nome, e seu amigo, Alberto Granado, viajaram da Argentina à Venezuela no ano de 1952.

            A aventura começou de moto, mas logo esta quebrou e os exploradores passaram a depender de caronas e da ajuda dos povos por onde passavam. Estudantes de medicina, diziam-se especialistas em leprologia para conseguir respeito, moradia e comida.

            Enquanto a viagem estava em solo argentino, tudo transcorria bem. No Chile as coisas complicaram um pouco, mas os piores momentos estavam reservados ao Peru, onde tiveram seus maiores percalços. Na saída do país, por um barco, acabaram chegando a terras brasileiras. Logo voltaram e seguiram rumo à Venezuela, onde Granado arrumou um emprego. Guevara seguiu de avião para Miami, onde passou um mês, devido a problemas em seu meio de transporte.

            Ao final do livro, o sentimento primário de miséria fica em segundo plano. A hospitalidade e a forma como a população dos países ajudaram e se solidarizaram a Guevara e Granado tornam-se o principal aprendizado do livro.

            No último relato, fica claro que esta viagem foi fundamental para que o mito Che Guevara fosse formado, sempre lutando ao lado do povo, em diversos países do mundo.

Livros

Transformando suor em ouro


 

Autor: Bernardinho

Número de páginas: 215

 

            Livro do atual técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardo Rezende. Na obra Bernardinho, como é chamado, não trata apenas do jogo de vôlei em si, mas traça um paralelo entre o dia-a-dia das equipes com a vida das pessoas e empresas.

            No livro Bernardinho relata sua trajetória, desde a reserva na geração de prata, passando por sua experiência do na Itália e na seleção feminina, até a conquista do ouro olímpico, conquistado em Atenas, com a seleção que ainda dirige.

 

Por que ler?

 

            Apesar de ser um livro, aparentemente, de negócios, destinado a obcecados por trabalho e resultados, o resultado final não é bem esse.

            Lições empresariais são passadas, mas estas servem também como conselhos para nosso cotidiano. Além disso, as mensagens são passadas através das histórias do vôlei e do esporte em geral (em muitos momentos Bernardinho usa atletas e técnicos de outros esportes, para mostrar bons exemplos).

            O destaque do livro fica por conta dos relatos vividos pela seleção masculina. O relacionamento e o trato da comissão técnica com os jogadores é algo que chega a surpreender àqueles que não acompanham o vôlei tão de perto.

 

Livros

O dia do curinga


 

Autor: Jostein Gaarder

Número de páginas: 378

 

            Lançado em 1995, “O Dia do coringa” traz uma deliciosa história de um menino que vive apenas com seu pai, um filósofo beberrão e, durante uma de suas férias, eles saem em procura de sua mãe.

            Nessa busca um acontecimento faz com que uma outra história paralela seja contada e, em dado momento, ela e a principal passam a se cruzar.

 

Por que ler?

 

            O livro segue a mesma linha de O mundo de Sofia, grande best seller de Gaarder. Com uma linguagem simples e fluente o autor prende o leitor ao livro.

            O grande trunfo do romance é fazer com que pensamentos filosóficos sejam despertados. Apesar de, teoricamente, os livros do autor serem voltados para o público infanto-juvenil, eles costumam fazer grande sucesso com os mais velhos.

            Despertar pensamentos e valores que se perdem com o tempo talvez seja o principal mérito do livro.

 

Livros

Cara, cadê meu país?


Autor: Michael Moore

Número de páginas: 271

 

            O livro traz a realidade estadunidense após os atentados de 11 de Setembro. Com grande ironia, Moore trata de assuntos como ligações existentes entre a família de George W. Bush e os negócios que eles possuem na região da Arábia Saudita, junto à família de Bin Laden.

            A ganância dos norte-americanos no poder também é discutida, mostrando que o estadunidense comum é contra os abusos cometidos por seu Governo, que, segundo o autor, tomou o poder ilegalmente.

            Muito dos dados do livro serviram de base para o documentário Ferenheit, 11 de Setembro.

           

Por que ler?

 

            Para entender um pouco de como são as coisas nos Estados Unidos. Um país com grande segregação racial (negros, brancos e latinos, cada um em seu canto, defendendo seus interesses). Moore trata de assuntos delicados em seu país, como o grande número de armas; o capitalismo extremo daqueles que estão no poder das grandes empresas e não dão espaço para outros crescerem; as questões de apoio a guerras e como a mídia e o governo manipulam o assunto.

            A situação dos políticos do país também é abordada, relatando grande incompetência dos democratas, principal razão de tamanho sucesso dos republicanos.

 

 

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