Esportes

Vôlei

Imortais


Blá blá blá blá. Blá blá blá. Blá blá. Blá. Bl. B....... Por um instante nenhuma palavra foi dita; nenhuma cerveja foi brindada; nenhum lábio foi beijado; nenhuma cadeira foi movida; nenhum sorriso foi dado; nenhum talher tilintou; nenhum garçom foi chamado. Eis que um “puta que o pariu”, proferido em forma de lamento e desanimo, quebrou o silêncio que perdurou por longos 3 ou 5 segundos. Aquele bar voltava à realidade, ainda que agora mais triste, e os papos, brindes e amores continuaram, ainda que sem o brilho de minutos atrás. Os risos se tornaram escassos.

Os olhos de alguns garotos, que haviam chorado de felicidade pela manhã com a vitória das meninas, voltaram a se encher de lágrimas. Era impossível disfarçar o anticlímax. Aquela derrota representava a maior frustração olímpica de 2008, sem dúvidas. Namoradas, ainda que também abaladas pela tragédia que acabara de ocorrer, tentavam de alguma forma, em um ato de grande generosidade, consolar os seus amados. Conseguiram algum sucesso, mas nada além de arrancar dos meninos um sorriso de gratidão, mas sem alegria alguma.

Engraçado, até anos atrás a cena acima, que realmente aconteceu na madrugada de sábado para domingo, poderia ser imaginada, quando relacionada a uma derrota esportiva, após a seleção de futebol perder a Copa do Mundo. Mas não era esta competição que estava em jogo, nem tal esporte. Era o vôlei masculino que acabara de ser derrotado na final das Olimpíadas.

O final de um ciclo? Provavelmente... Resta esperar que o tempo, sempre ele, faça com que estes meninos-homens que transformaram o Brasil na maior potência mundial do vôlei por tantos anos, sejam eternamente reconhecidos e jamais crucificados, como é de se esperar que aconteça em um País injusto como o nosso, que adora achar culpados para tudo, mas esquece que, muitas vezes, as derrotas são decorrentes apenas da superioridade do adversário. E esta prata, de maneira alguma, apagará tudo o que esta seleção fez pelo vôlei no Brasil.

Além dos gramados

Liberdade ideológica


 

Há algum tempo sem postar, volto aqui falando de um jogador do qual admiro muito. Não pelo futebol jogado em campo, que, para falar a verdade, nem conheço tão a fundo, mas sim pela coragem em assumir e defender a sua posição política, sem medo das conseqüências que isso possa trazer. Falo do italiano Paolo Di Canio, que nunca teve medo de se declarar um profundo admirador de Benito Mussolini, e da forma que governou a Itália no período da Segunda Guerra Mundial, sob um regime fascista.

            O jogador foi punido duas vezes com multas quando jogava pela Lazio, equipe da qual é torcedor fanático, por comemorar gols e vitórias fazendo saudações fascistas para os ultras da equipe, que possuem a mesma linha ideológica do atleta, que fez parte do grupo de torcedores em sua juventude. Di Canio possui em seu braço uma tatuagem escrita Dux, palavra em latim que significa Duce, apelido pelo qual tratavam Mussolini. Ainda vale a pena lembrar que a equipe romana era o time de coração do ditador italiano.

            Já explico logo, a questão não está em eu concordar eu não com o fascismo, não é isso que vem ao caso. O motivo do post está em cada um poder assumir aquilo que realmente é e pensa. Maradona nunca escondeu sua paixão pelo comunismo, outros tantos amam falar de democracia, que serve como máscara para o capitalismo desenfreado no qual vivemos, então qual o problema de Di Canio, ou qualquer outra pessoa, ser a favor do fascismo?

            A partir do momento que a pessoa defende uma posição ideológica apenas com idéias, o que há de mal? Tudo isso é medo de que ela influencie os outros? Se influenciar é porque as idéias têm fundamento, ou as pessoas têm cabeça fraca, o que ai não é problema daqueles que possuem “pensamentos proibidos”.

            E para aqueles que gostam de julgar as pessoas apenas por elas serem de grupos ou terem pensamentos rechaçados pela sociedade, segue o link de um vídeo de Di Canio. Ele, além de toda a sua associação ao fascismo, também foi condecorado pela FIFA com o Prêmio Fair Play, quando ele jogava pelo West Ham, veja o porquê http://www.youtube.com/watch?v=9NQ1GFGSYKY&eurl=http://tudotemsualogicafutebolistica.blogspot.com/2007/11/di-canio-um-bom-homem.html

 

Torcida

A diferença entre torcer e assistir


 

Hoje é dia de festa no Morumbi, estádio lotado, Galvão delirando, bandeirinhas sendo distribuídas, famílias e mais famílias presenciando a seleção brasileira, oitava maravilha do mundo. Ao entrar em campo os guerreiros convocados para a peleja serão efusivamente ovacionados e aplaudidos por todos. Na hora do hino a comoção será geral, uma perfeita sintonia entre público e os astros. O jogo começará, a platéia sentará, e só vai levantar a bunda da cadeira quando sair um gol do Brasil ou, caso o selecionado canarinho esteja jogando mal, para vaiar. Não há nada mais chato do que assistir à um jogo desses no estádio.

            O torcedor da seleção brasileira é assim, pessoas frias, que buscam apenas acompanhar a partida e não torcer de verdade. Não cantam, não apóiam, não comovem, não ficam comovidos, não ajudam o time, não empolgam ninguém, ou seja, não torcem. Isso reflete, e muito, no comportamento dos jogadores brasileiros, que jogam sem garra, sem raça, sem vibração.

            O cidadão, seja ele quem for, tem que entender que a arquibancada (ou numerada, ou cativa, ou as áreas VIP’s) é lugar para torcer e não assistir aos jogos. Se for para apenas observar a partida fique em casa, a Globo transmite, você gasta menos, não toma chuva, não paga flanelinha nem corre o risco de ter o carro roubado, não pega filas monstruosas, não se envolve em brigas de torcidas, não ajuda seu time, não entende o que se passa no coração de quem torce de verdade e, na derrota ou na vitória, não compreende como um cidadão pode chorar por causa de futebol.

Vá ao estádio, mas entenda que lá não deve existir platéia ou público, e sim torcida.

 

PS: Hoje, Brasil 0 x 1 Uruguai. Gol de Lugano.

Torcidas

Exemplo de jornalismo!


 

O jornalista Leandro Meireles Pinto acompanhou a caravana da Gaviões da Fiel para Goiânia, e foi contando tudo o que acontecia em seu blog. Uma aula de jornalismo!

Segue o link, leiam tudo e observem as fotos, vale muito a pena!

http://z003.ig.com.br/ig/41/44/359020/blig/decisao/2007_45.html

Torcidas

No velho continente...


 

            Como acontece todos os anos, é só começar a Copa dos Campeões que já começam os problemas com torcidas na Europa. Aproximadamente vinte mil escoceses foram para a Espanha, acompanhar o jogo de amanhã, entre Barcelona x Rangers. Acontece que apenas seis mil e trezentas entradas foram disponibilizadas para os torcedores da equipe de Glasgow. A polícia de Barcelona já prevê que deve haver grandes tumultos antes do início da partida.

            Na verdade os problemas já até começaram, após confrontos entre os próprios escoceses, dois ficaram feridos com golpes de armas brancas e um foi preso. Durante a madrugada desta segunda-feira, os torcedores quebraram garrafas pelas ruas e tomaram banho nas fontes da cidade catalã. Bares e bancas da cidade que costumam ficar abertos durante a noite estão fechando, com medo dos torcedores.

            Fica a pergunta, por lá não existe as organizadas, e agora, em quem vão jogar a culpa?

Torcida

São Paulo, a torcida e a polícia


 

Primeiro, parabéns ao São Paulo, pentacampeão brasileiro, indiscutivelmente o maior time deste país, ninguém tem tantas conquistas quanto o tricolor. Mas não falarei sobre o jogo de ontem em si, e sim sobre a torcida ontem.

            Os são paulinos fizeram uma festa memorável, 70 mil pessoas lotaram o estádio do Morumbi e cantaram durante quase todo o jogo, coisa rara quando se trata da torcida do São Paulo. O momento de maior emoção, em minha opinião, foi quando o nome do eterno mestre Telê Santana foi gritado por todo o estádio, incrível a identificação e o carinho que os são paulinos tem com o ex-treinador.

            No final, para variar, a polícia precisou aparecer de alguma forma. A Torcida Independente está proibida de entrar com faixas, bandeiras e instrumentos no estádio, devido a gritos de incentivo à violência no jogo contra o Corinthians. Durante a partida tudo tranqüilo, mas, ao final, como aconteceu no ano passado, a torcida apareceu com duas bandeiras de bambus, proibidas em estádios do Estado de São Paulo. Uma destas bandeiras chegou às mãos de Rogério Ceni, que desfilou com ela pelo gramado do Morumbi.

            Na saída, quando todos apenas festejavam o título, a polícia resolveu mostrar que estava lá e queria atenção. Começou a correr atrás dos integrantes da Independente para pegar os bambus das bandeiras, os torcedores foram pra cima da PM, ai virou bagunça.

            Ficam duas perguntas: a polícia não viu pessoas carregando duas bandeiras, em bambus de 6 metros, entrando no estádio? Antes que perguntem, elas não estavam lá dentro, pois na hora que cheguei ao jogo as vi tremulando do lado de fora. E, se queriam tanto tomar as bandeiras e os bambus, por que não foram bater e tomar a de Ceni também? Há quem jogue toda a culpa em cima das torcidas, mas enquanto a polícia não souber se preparar e agir em jogos de futebol, a violência será cada vez pior.

Copa

Copa no Brasil


 

A Copa do Mundo de 2014 será no Brasil! Não sei se isso é bom ou ruim, mas é, no mínimo, preocupante. Hoje não temos condições alguma de realizar um evento de tamanha grandeza, não temos estádios para isso, não temos transporte, não temos público (o ingresso para jogos da Copa são muito caros, quem vai querer pagar 100 reais para assistir à um Coréia do Sul x Arábia Saudita?) e, principalmente, temos pessoas de muito má índole nos governando.O exemplo disso já pode ser visto no relatório apresentado à Fifa, que dizia que temos excelentes transportes coletivos, uma saúde pública que atende a todos e eventos esportivos sem violência alguma, não sei que país é esse, mas não é o mesmo que vivo.

            É aguardar pra ver quantas vezes o orçamento será estourado e quantos escândalos serão abafados. Além dessas coisas, corriqueiras por aqui, o país não tem condição alguma de receber torcedores como os ingleses, poloneses, alemães, croatas e argentinos, se nem das organizadas eles dão conta, veremos como tratarão os hooligans e os barra-bravas.

Facul

Rugby no Orkut


 

Durante o mundial de Rugby, que acabou no último final de semana, os fãs brasileiros do esporte que buscavam informações sobre o evento sofreram muito. Exceto os canais da ESPN, canal de televisão fechada, que nem todos têm acesso, no Brasil, nenhum outro veículo de comunicação deu a atenção merecida ao torneio. Uma das formas que muitos encontraram de trocar informações, palpites, sugestões e tecer comentários sobre as partidas foi pelo Orkut.

            Na comunidade Rugby Brasil, a maior no segmento, com 6262 membros, é possível encontrar opiniões das mais diversas a respeito das partidas do mundial, os times mais citados são os surpreendentes Pumas (seleção argentina), o fracasso do All Blacks (seleção neozelandesa), que era apontado em diversas comunidades como os favoritos ao título, e os campeões do Springboks (seleção sul-africana).

            Analisando outras comunidades foi possível observar um aparente crescimento no número de mensagens durante e após o mundial. Em todas elas o nome de jogador que mais aparece talvez seja a do francês Chabal, que, com sua barba por fazer e seus cabelos cumpridos, assemelha-se a um ogro. O próximo mundial também já é motivo de discussão entre os membros do Orkut, muitos defendem que o número de países deveria aumentar de 16 para 24 participantes.

            O esporte parece ter caído na graça de muitos brasileiros, perguntas sobre campeonatos nacionais, local de compra de artigos, dúvidas sobre as regras, as diferenças entre rugby e futebol americano, divulgação de times locais e até mesmo onde há o esporte para as mulheres podem ser encontradas nas comunidades. A aposta é que essa ascensão do esporte continue, já que no final deste ano começa a Heineken Cup 07/08, torneio entre os maiores times da Europa, que também deverá ser transmitido para o Brasil.

Rogério Ceni

Rogério Ceni


 

Quando parecia que já tinha conquistado tudo em sua carreira Rogério Ceni obteve mais um feito notável, foi indicado ao conceituado prêmio Bola de Ouro, da revista francesa France Football. O goleiro do São Paulo é o primeiro jogador que é indicado à premiação jogando por um time sul americano. Não deve ganhar, pois concorre com nomes de muito mais peso, mas, só de estar lá, já é algo inimaginável para alguém que, por “forças maiores”, não é nem convocado para a seleção de seu país.

            Rogério não é desses ídolos quaisquer, ele mexe com todos, quem não o idolatra, odeia. Seus admiradores não se limitam apenas aos são paulinos, na Argentina há fãs-clube de Ceni, um deles liderado por Michel Barros Schelotto, ex-jogador do Boca Juniors. Jornais italianos questionaram a lista dos jogadores indicados ao prêmio FIFA de melhor jogador do mundo, disseram que, uma lista assim sem Rogério Ceni não pode ser levada a sério.

            Um goleiro; defendeu a vida inteira o mesmo time; nunca ligou para a seleção brasileira; dois títulos da Libertadores, dois Mundiais; politizado; sabe falar, não tem medo de emitir opiniões; um dos três maiores ídolos da história do maior time do Brasil; revolucionou a sua posição por saber jogar com os pés; reconhecido mundialmente sem sair do país. E ainda há quem diga que ele é um jogador comum.

       

Rugby

África do Sul conquista o mundo


 

            Parabéns à seleção de África do Sul, após acabar com o sonho argentino nas semifinais, os Springboks venceram a Inglaterra por 15 a 6 e sagraram-se bi campeões mundiais de rugby. Para completar a festa dos africanos, Bryan Habana, o wing da seleção, foi eleito o melhor jogador do mundo, só ele marcou oito tries no mundial, igualando o recorde de 1999, do neozelandês Jonah Lomu.

            A próxima edição do evento, que é uma das três competições mais assistidas do planeta, acontecerá em 2011, na Nova Zelândia, onde não há como deixar de apontar o All Blacks, time da casa, como um dos favoritos.

Rugby

Valeu, Pumas!


 

O sonho dos Pumas ainda não chegou ao fim. Mesmo perdendo a semifinal do mundial de rugby para o fortíssimo selecionado da África do Sul, a seleção Argentina deve ser recebida em seu país como heróis nacionais.

            Mais do que simplesmente ganhar ou perder; mais do que ter feito a melhor campanha da história do país em um mundial de rugby; mais do que estar entre as quatro melhores seleções do mundo, a frente de grandes potências do esporte, como Nova Zelândia e Austrália; a seleção alvo-celeste conseguiu comover o mundo com toda a sua garra, espírito de equipe, luta e coração, muito coração, durante todo o tempo, em todos os jogos, em todos os momentos juntos.

            Quem acompanhou um pouco do mundial sabe do que estou falando, não há como não se emocionar ao ver cenas como as de hoje, onde, durante a execução do hino nacional argentino, praticamente todos os jogadores choravam, como se estivessem indo à guerra, defendendo suas próprias vidas e a de seus irmãos.

            Uma pena que a imprensa daqui não tenha mostrado nada disso, apenas a ESPN deu a atenção merecida ao mundial, que é o terceiro evento mais assistido do planeta (só perdendo para a o mundial de futebol e as olimpíadas). Os jornais do mundo inteiro se renderam aos Pumas, nem tanto pela qualidade de seus jogadores, mas sim pela paixão e raça que defendem a camisa que vestem.

            Parabéns Pumas, quem sabe no próximo mundial mais um passo não seja dado!

Torcidas

Mais um pouco de torcida!


 

A Brigada Militar, polícia que é responsável pela segurança dos estádios no Rio Grande do Sul, identificou grupos de torcedores neonazistas infiltrados na torcida do Grêmio. Antes que já falem que são torcedores organizados, foi deixado bem claro pelo  delegado Paulo César Jardim que eles foram vistos “Atrás de um dos gols do Olímpico, onde fazem a famosa avalanche”. Esta avalanche é um movimento tradicional das barras que, como disse no post anterior, não possuem um comando unificado e não são uma  entidade jurídica.

            Dois torcedores foram presos por levar bandeiras com a suástica e fazer sinais nazistas no estádio do Grêmio, os torcedores disseram fazer parte do movimento White Power, que procura valorizar a raça branca, e são acusados de ter espancado e matado um punk após um jogo do tricolor gaúcho.

            Tenho minhas ressalvas a você prender alguém apenas por sua ideologia, há diversos tipos de nazistas e skinheads, nem todos são violento (sim, esses presos foram, mas nem todos são), muito buscam seus ideais através da política e, até onde eu sei, você não pode prender alguém por seus pensamentos.

            Agora, o que mais chama atenção nisso tudo foi a seguinte declaração dada pelo delegado “Sequer sabia que tinha isso dentro da torcida”, isso mostra uma falta de preparo absurda para tratar do tema. Não é segredo para ninguém que estude um pouco os movimentos de torcidas pelo mundo (organizadas, barra-bravas, hooligans e ultras), que há grupos extremistas infiltrados em diversas delas. Neste blog mesmo já recomendei a leitura de “Diário de um skinhead” (leia aqui http://rcasarin.zip.net/arch2006-11-05_2006-11-11.html) , que escancara a relação que existe entre grupos de extrema direita espanhol com a Ultras Sur, torcida Real Madrid.

            Ainda é importante destacar que estes grupos extremistas não estão apenas no esporte, mas em diversos ramos da cultura, um exemplo? O Ile-Ayê, grupo de “batucada” da Bahia, não aceita brancos entre seus integrantes. Todos sabem disso, ninguém fala nem faz nada.

 

Torcidas

Rumo à extinção


 

Mais uma vez as torcidas organizadas caminham a passos largos para a extinção. Não que algo tenha mudado radicalmente na postura delas, mas agora a imprensa e o Ministério Público resolveram apertar o cerco novamente. Virou uma espécie de lei, tudo o que acontece de ruim nos estádios é culpa destas torcidas.

            Recentemente algumas matérias muito boas foram publicadas sobre o assunto, outras deixam a desejar e, algumas, tomam posições totalmente equivocadas. Citarei três, umas representando cada caso.

            A Revista Placar trouxe em sua edição mais recente uma ótima reportagem sobre o ataque da Independente contra a Gaviões da Fiel, na Rua São Jorge. O texto traz detalhes interessantes sobre como começou, foi planejado e funcionou a “ofensiva”. Para quem está de fora, dá pra se ter uma idéia um pouco mais real de como funciona o universo das torcidas.

            A mídia criticou ferozmente a mesma Gaviões neste último final de semana, chamaram os integrantes da torcida que estiveram presentes no treino do Corinthians de vagabundo e tudo mais. Um equivoco. Os torcedores estão ali por paixão, o treino é aberto, então quem quer ir lá se manifestar tem o direito, ainda mais quando os jogadores deixam a desejar dentro de campo. As pessoas têm que entender que, quem está em um estúdio de televisão, ou sentado em frente de um computador, está agindo com a razão, como já disse, não há nada de racional no ato de torcer, é 100% de paixão.

            Agora a pérola mais recente. Paulo Serdan, presidente de honra da Mancha Alvi-verde agrediu o treinador da equipe sub-15 do Palmeiras, por que tirou o filho de Serdan de um jogo contra o Santos, no CT Rei Pelé. O treinador foi parar no hospital. Serdan agrediu o cidadão sozinho, sem a ajuda de ninguém, por causa de seu filho e, adivinhem!? já tem gente colocando a culpa na Mancha Verde!

            Claro que entre as torcidas há sim muita violência, existe muito mais do que é retratado na mídia até, mas briga quem quer e só apanha quem está nas brigas ou vacila muito, não tem conhecimento daquilo que está envolvido.

            Uma coisa tem que entrar na cabeça de todos: não adianta punirmos torcidas. Não é a Independente, a Gaviões ou a Mancha que brigam, são parte de seus integrantes. Ao acabar com as torcidas, o problema não será solucionado, pelo contrário, haverá um controle ainda menor sobre os brigões. Na Argentina, onde a violência é muito pior do que aqui, não há entidades físicas, apenas os grupos de torcedores, dos quais ninguém tem controle.

            Não podemos também chegar ao ponto de caracterizar uma pessoa como a torcida. Se o presidente da Coca-cola briga com alguém, foi ele que agrediu a pessoa e não a Coca-cola. O mesmo se aplica no caso de Serdan, foi ele quem agrediu o técnico e não a Mancha.

            No último São Paulo x Palmeiras tanto a Independente quanto a Mancha foram alertadas que, caso houvesse alguma ocorrência de briga, as duas torcidas seriam extintas. Veremos agora como o Ministério Público irá se comportar para o jogo São Paulo x Corinthians.

            A chance de, em breve, não termos mais torcidas organizadas existe. A chance de, com isso, a violência descambar de vez, existe também.

Futebol

A noite dos deuses


 

Perdoem-me o clichê, mas as horas, no momento, não passam, elas se arrastam, e de forma bem vagarosa. É estranho, muitos não compreendem, muitos nem ao menos respeitam, mas, ainda assim, faz parte do espetáculo. O futebol é algo incrível, meche com os sentimentos, muito mais do que qualquer tipo de arte. Talvez seja por isso que é incompreendido por muitos. Quem não o sente não é capaz de perceber o quanto ele emociona. Não adianta tentar entender, explicar ou estudar; é uma paixão que está na alma, no coração, não há nada de racional nisso.

            Dentro deste cenário, há momentos na história onde a paixão fica mais exacerbada. São momentos que antecedem os grandes jogos, uma final de Libertadores, uma final de Mundial, um clássico contra o grande rival, ou um São Paulo x Boca Juniors. Não há como manter-se indiferente a este jogo, ainda mais quando o seu coração bate mais forte por um dos lados. Não importa se a partida é disputada pela Copa Sulamericana, Libertadores, Amistoso ou times de pebolim, quando as duas maiores equipes da América se encontram, algo de especial acontece.

            Um jogo desses pode ser comparado às batalhas épicas. Se fosse teatro, seria uma tragédia da Grécia antiga, onde apenas um dos heróis poderia sair vivo. Não há como negar a grandeza dos dois times. São nove Libertadores e seis mundiais em campo. É o maior clube da Argentina contra o maior do Brasil. São aqueles que, quando algum outro time há de enfrentar, sempre entra sabendo que perder é normal; ganhar, espetacular. É o misticismo de La Bombonera, contra o gigantismo do Morumbi.

As comparações não param por ai. De um lado está o time responsável por revelar e sustentar a maior paixão que uma população pode ter por um cidadão. Será que o indiscutível talento de Diego Maradona seria suficiente para torná-lo o mito que é na Argentina caso ele não tivesse vestido a camisa do Boca, o time mais popular do país? Pelos lados de cá podemos nos orgulhar. Hoje, algum time no mundo possui um jogador que tenha tamanha identificação com o clube e com a torcida quanto Rogério Ceni?

Outra forma de relacionar tricolores e xeneizes está no amor incondicional que suas torcidas possuem por ex-treinadores dos times. Entre os são paulinos, Telê Santana está acima do bem e do mal, para os boquenses, Carlos Bianchi foi a estrela maior de uma constelação que brilhou, e muito, no final do século passado e no começo deste.

Dentre as torcidas, há um respeito mutuo. Pode até existir aqueles que dizem que um time ganhará fácil do outro, mas isso está só nas palavras, em seu âmago, todos torcedores, de ambos os lados, respeitam profundamente o adversário. Aqueles que já estiveram na Argentina sabem do que estou falando, há um respeito gigante pelo São Paulo. Para os brasileiros, não precisa nem explicar o que o Boca representa.

Só há uma coisa em que um dos times se destaca mais que o outro. Infelizmente, não há como comparar a torcida do São Paulo com a do Boca. Por mais que doa escrever e reconhecer estas palavras, o time do Morumbi não pode contar com seus torcedores, eles só comparece nos momentos bons e, ainda assim, vão assistir aos jogos, e não torcer. Já os xeneizes, dispensam comentários.

Não sei se esta noite o Morumbi estará lotado como merece estar, acredito que não, porque um jogo desses mereceria como público os amantes do futebol e não há estádio que abrigue todos eles. Mas isso ficará em segundo plano, pois, dentro de campo, duas das camisas mais tradicionais e valiosas do universo estarão duelando. Talvez estes times possam até ser chamados de deuses, afinal, quando há um embate entre eles, até o tempo parece passar diferente.

 

Texto divulgado no site Estação Tricolor.

 

Link: http://www.estacaotricolor.com.br/integra.asp?conta=25930&cat=co

Choradeira!

Santistas não querem ir ao Morumbi


 

A Torcida Jovem, do Santos, está melindrada. Em nota oficial no seu site divulgou que não irá ao jogo de sábado, contra o São Paulo, e pede para que os santistas também boicotem a partida, convidam a todos para assistir à partida na quadra da torcida, na zona leste da capital, de graça, em um telão que irão colocar lá.

            Mas quais os motivos desse “protesto”? Falam que é por causa do valor do ingresso (R$30,00), o mesmo valor cobrado da torcida são paulina no jogo de Santos. Porém, o motivo maior é que a diretoria do tricolor disponibilizou ingressos para torcida santista apenas nas arquibancadas inferiores azul e amarela, o que dá os 10% que a torcida visitante tem direito. Não gostaram, acham que o São Paulo tem a obrigação de dividir o estádio. Um absurdo!

            A atitude tomada pela diretoria são paulina para este clássico deveria ser igual para os jogos contra o Corinthians e o Palmeiras. Quando os são paulinos tem que ir à Vila Belmiro, Parque Antártica ou Pacaembu, o espaço reservado sempre é o que manda a lei (10% da capacidade do estádio) agora, por que quando vão ao Morumbi querem ficar com metade dele?

            A única ressalva que faço é que a torcida visitante deveria ficar na arquibancada inferior amarela e nas cadeiras amarelas, pois, para chegar à arquibancada inferior azul, os santistas, infelizmente, terão alguns problemas. Quem conhece o Morumbi sabe do que estou falando.  

 

            Atualização dia 12/09 as 22h17m - a diretoria do São Paulo cedeu às pressões da diretoria santista e da polícia militar e disponibilizou todo o setor amarelo aos visitantes. Incrível como o são paulinos deixam os outros mandar e desmandar em sua casa, o Morumbi.

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