
Blá blá blá blá. Blá blá blá. Blá blá. Blá. Bl. B....... Por um instante nenhuma palavra foi dita; nenhuma cerveja foi brindada; nenhum lábio foi beijado; nenhuma cadeira foi movida; nenhum sorriso foi dado; nenhum talher tilintou; nenhum garçom foi chamado. Eis que um “puta que o pariu”, proferido em forma de lamento e desanimo, quebrou o silêncio que perdurou por longos 3 ou 5 segundos. Aquele bar voltava à realidade, ainda que agora mais triste, e os papos, brindes e amores continuaram, ainda que sem o brilho de minutos atrás. Os risos se tornaram escassos.
Os olhos de alguns garotos, que já haviam chorado de felicidade pela manhã com a vitória das meninas, voltaram a se encher de lágrimas. Era impossível disfarçar o anticlímax. Aquela derrota representava a maior frustração olímpica de 2008, sem dúvidas. Namoradas, ainda que também abaladas pela tragédia que acabara de ocorrer, tentavam de alguma forma, em um ato de grande generosidade, consolar os seus amados. Conseguiram algum sucesso, mas nada além de arrancar dos meninos um sorriso de gratidão, mas sem alegria alguma.
Engraçado, até anos atrás a cena acima, que realmente aconteceu na madrugada de sábado para domingo, só poderia ser imaginada, quando relacionada a uma derrota esportiva, após a seleção de futebol perder a Copa do Mundo. Mas não era esta competição que estava em jogo, nem tal esporte. Era o vôlei masculino que acabara de ser derrotado na final das Olimpíadas.
O final de um ciclo? Provavelmente... Resta esperar que o tempo, sempre ele, faça com que estes meninos-homens que transformaram o Brasil na maior potência mundial do vôlei por tantos anos, sejam eternamente reconhecidos e jamais crucificados, como é de se esperar que aconteça em um País injusto como o nosso, que adora achar culpados para tudo, mas esquece que, muitas vezes, as derrotas são decorrentes apenas da superioridade do adversário. E esta prata, de maneira alguma, apagará tudo o que esta seleção fez pelo vôlei no Brasil.