Cultura

Exposição Marrocos


 

Quando pensamos em Marrocos, algo que, convenhamos, não fazemos diariamente, logo nos vem a cabeça um cenário com muita areia e predominantemente marrom, certo? A exposição “Marrocos”, em cartaz no MAB (Museu de Arte Brasileira) da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) procura mostrar ao público as tradições e a modernidade artística do país africano, algo que está longe de ser parecido com a impressão que temos de lá. A curadoria da mostra ficou sob a responsabilidade de Abdellh Salih, diretor do matrimonio cultural marroquino.

            Antes de falar da exposição em si é bom sabermos, ainda que bastante superficialmente, um pouco da história do Marrocos. O país era dominado pelos fenícios, do Império Bizantino e Romano, até a chegada dos árabes, responsáveis por levar o Islã, que hoje é a principal religião local, para o país. Após isso Portugal dominou a região, mas sem exercer grande influência, depois foi a vez da Inglaterra tomar conta do lugar e, em 1904, ceder o território para a França.

            Os aspectos dos diversos países que tomaram conta do local podem ser percebidos nos itens expostos. Nos manuscritos e inscrições realizadas em objetos, a linguagem e grafia do alcorão é a predominante, porém, há itens com influências francesas. Ainda em alguns objetos, como a base de um pilar, é possível observar claramente a influência da cultura grega. Grego? Mas os gregos também colonizaram o lugar? Não! Mas, como um dos berços da civilização ocidental, influenciou os costumes romanos e bizantinos.

            Os objetos estão expostos divididos em dois espaços, um com a cultura antiga e outro com a contemporânea. As peças mais velhas estão dispostas por categorias, divididas em caligrafia, astrolábio, ofício da madeira, roupa feminina urbana, artes rurais (cerâmica e portas), tapetes, artes urbanas, jóias e bordados marroquinos. Na maioria dos objetos expostos, acompanhados de belos quadros, é possível observar uma grande quantidade de flores e rosáceas desenhadas nas peças.

            A parte da arte contemporânea, felizmente, está em um espaço separado. Vale a dica: caso você esteja com um pouco de pressa, nem entre no local, não perderá nada. Para não dizer que tudo ali não compensa, há um quadro bastante engraçado, com grandes influências do mundo atual, como referências a Bush e Bin Laden.

            No geral, ainda que esteja aquém de exposições já realizadas no lugar, como dos Czares e dos Deuses Gregos, vale a pensa visitar a mostra. Conhecer a cultura de um país tão pouco conhecido por aqui é sempre válido.

EXPOSIÇÃO "MARROCOS"

Data:
até 22 de junho de 2008

Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP

Endereço: Rua Alagoas, 903 - Higienópolis

Horário: 3ª a 6ª feira, das 10h00 às 20h00; Sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 17h00

Informações: (11) 3662-7198

Entrada Gratuita

Literatura

Guerra e Paz


Tido como um dos maiores livros da história e como um dos que mais influenciaram a literatura moderna, Guerra e Paz, do escritor russo Liev Tolstoi, conta, em linhas gerais, a guerra travada entre Napoleão Bonaparte, imperador francês e Alexandre I. czar russo. O primeiro, em sua ambição de conquistar toda a Europa, tentou (e conseguiu) invadir Moscou, capital da Rússia, mas, por uma serie de fatores, não conseguiu sustentar a cidade conquistada e a perda do local, junto da morte de milhares de soldados franceses, serviu como epicentro de revoltas na França, que acabaram por destituir o imperador do cargo.

            Muito mais do que a guerra em si, o romance traz o quanto a sociedade russa foi influenciada pela guerra, mostrando as reações das famílias nobres ao ver parte dos seus homens indo para a guerra, enquanto outros estavam em seus gabinetes, decidindo o futuro do país. A história é contada com diversas frentes de narrativa, dentre elas o palco da guerra em si e algumas famílias do alto calão da sociedade russa. As contradições, hipocrisias e superficialidades desta parcela da população são tratados com maestria, deixando a impressão que, na verdade, apenas as formas de guerra eram diferentes. Enquanto alguns matavam ou morriam no campo de batalha, outros prometiam suas filhas a terceiros por puro interesse, e, algumas mulheres, levavam vidas paralelas com dois maridos.

            A guerra é tratada de uma forma bastante sutil. Mesmo nas batalhas mais sangrentas, os detalhes mais sórdidos são deixados de lado, preferindo o autor falar de assuntos que vão muito além daquilo que todos imaginam dos campos de batalha. São mostrados as curiosidades e os pequenos detalhes que muitas vezes ditam quem será o vencedor e o perdedor dos embates. Um dos melhores exemplos disso é quando Tolstói narra um plano traçado pelo exército russo que sai totalmente errado, mas, no final, acaba por ser o fator determinante para expulsar o exército francês de Moscou. Talvez a maestria como estes episódios são narrados, deva-se ao autor do livro ter integrado o exército russo por algum tempo, após o período da guerra retratada.

            O livro pode ser considerado uma novela, afinal, o tema principal (a guerra) dita o ritmo e interfere em todas as narrativas da história. Nenhuma das personagens deixa de ser influenciada por este fator principal. Sua versão original possui mais de 1000 páginas, masadaptações disponíveis no mercado. Uma boa pedida é a de Silvana Salerno, lançada recentemente pela Companhia das Letras e que foi lida para a realização deste texto.

 

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