
... os dias são tão iguais, são todos iguais. Isso é um pedaço modificado de uma letra da banda punk Inocentes. Na versão original as guerras que são iguais, não os dias. Entretanto, parece-me que vivemos um momento em que tudo se repete, nada é novo, nada é diferente, a rotina toma conta do mundo, o caos, as tragédias e as coisas absurdas foram absorvidas pela sociedade e hoje parecem estar intrísecas em nosso cotidiano.
Está difícil achar inspiração para escrever aqui. Poderia alimentar o blog todos os dias com letras de músicas e resenhas de livros, seria uma puta coisa chata.
No mundo das torcidas, sem dúvida o meu tema preferido, tudo está normal. Na Itália três foram esfaqueados no final de semana, no sul o Grêmio ganhou uma torcida nazista, a Camisa 88, na Argentina ainda se desenrola o processo contra os líderes do Borrachos del Tablón (barra do River) por brigas seguidas de morte contra torcedores do Lanus. A torcida do São Paulo, de uma forma geral, continua sendo uma vergonha.
Os animais, outro assunto que abordo com freqüência, continuam sendo massacrados pelo Homem, que se acha no direito de tirar a vida de quem bem entende, tudo pensando em seu benefício próprio. O aquecimento global está ai também, esperando soluções que não interfiram na economia mundial e tirando vidas e mais vidas.
Nas questões raciais que envolvem nosso país, nada mudou. Agora os negros reclamam que têm poucas vagas nas passarelas da moda, tudo devido ao baixo nível de profissionais afrodescendentes que são destaque na São Paulo Fashion Week. Reclamam, reclamam, reclamam....
As guerras continuam as mesmas, nos mesmos lugares, com os mesmos protagonistas, com as mesmas ações e reações, os mesmos discursos e as mesmas falsas soluções. As vítimas também continuam as mesmas, em sua maioria inocentes.
Enquanto isso vamos tocando as coisas. Quem sabe amanhã não volto a ficar inconformado, ou maravilhado, ou fascinado, ou qualquer coisa, com todos os elementos que envolvem o cotidiano.