Torcida
A diferença entre torcer e assistir

Hoje é dia de festa no Morumbi, estádio lotado, Galvão delirando, bandeirinhas sendo distribuídas, famílias e mais famílias presenciando a seleção brasileira, oitava maravilha do mundo. Ao entrar em campo os guerreiros convocados para a peleja serão efusivamente ovacionados e aplaudidos por todos. Na hora do hino a comoção será geral, uma perfeita sintonia entre público e os astros. O jogo começará, a platéia sentará, e só vai levantar a bunda da cadeira quando sair um gol do Brasil ou, caso o selecionado canarinho esteja jogando mal, para vaiar. Não há nada mais chato do que assistir à um jogo desses no estádio.
O torcedor da seleção brasileira é assim, pessoas frias, que buscam apenas acompanhar a partida e não torcer de verdade. Não cantam, não apóiam, não comovem, não ficam comovidos, não ajudam o time, não empolgam ninguém, ou seja, não torcem. Isso reflete, e muito, no comportamento dos jogadores brasileiros, que jogam sem garra, sem raça, sem vibração.
O cidadão, seja ele quem for, tem que entender que a arquibancada (ou numerada, ou cativa, ou as áreas VIP’s) é lugar para torcer e não assistir aos jogos. Se for para apenas observar a partida fique em casa, a Globo transmite, você gasta menos, não toma chuva, não paga flanelinha nem corre o risco de ter o carro roubado, não pega filas monstruosas, não se envolve em brigas de torcidas, não ajuda seu time, não entende o que se passa no coração de quem torce de verdade e, na derrota ou na vitória, não compreende como um cidadão pode chorar por causa de futebol.
Vá ao estádio, mas entenda que lá não deve existir platéia ou público, e sim torcida.
PS: Hoje, Brasil 0 x 1 Uruguai. Gol de Lugano.
Escrito por Rodrigo Casarin às 12h58



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